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Vinho vulcânico, observação de baleias e o pico mais alto de Portugal
O ferry de Faial chega na luz cinzenta da manhã. O Pico ergue-se do mar, o seu pico vulcânico escondido nas nuvens. Dizem que às vezes podemos esperar uma semana para ver o cume.
O carro alugado é um pequeno Fiat branco. As estradas são estreitas, ladeadas por muros de pedra vulcânica negra.
Conduzo até à Madalena para o pequeno-almoço. Um pequeno café. Pão com manteiga. Café suficientemente forte para acordar os mortos.
As vinhas do Pico são diferentes de tudo o que já vi. Muros de pedra dividem a paisagem em pequenas parcelas, protegendo as videiras do vento atlântico. O solo é rocha vulcânica negra. De alguma forma, as uvas crescem aqui.
Paro numa adega cooperativa. O vinho é Verdelho, mineral, salgado, vulcânico. O enólogo explica: "As raízes vão fundo na lava. Encontram água que ninguém sabia que estava lá."
Acordo com céu limpo. Pela primeira vez, vejo a montanha. O pico mais alto de Portugal, erguendo-se a 2.351 metros acima do nível do mar.
A caminhada até ao cume começa às 7 da manhã. Ao meio-dia, estou nas nuvens, a olhar para o Atlântico. As ilhas do Faial e São Jorge flutuam na distância.
O jantar é num pequeno restaurante junto ao porto. Lapas grelhadas. Queijo local. Mais daquele vinho vulcânico. O dono conta histórias dos dias da baleação, o avô dele era arpoador.
Observação de baleias ao amanhecer. Vemos cachalotes a alimentar-se em águas profundas ao largo. O guia, um biólogo marinho, explica os seus padrões de mergulho.
Mais tarde, caminho por Lajes do Pico, a antiga vila baleeira. O museu conta a história de uma indústria que moldou estas ilhas durante séculos. Agora as mesmas famílias que caçavam baleias ensinam turistas a observá-las.
O ferry de regresso ao Faial parte às cinco. A montanha está escondida novamente. Mas agora sei que está lá.
Escrito por
A equipa editorial da KIVO dedica-se a descobrir e partilhar as melhores histórias das ilhas, desde arquitetura e design até experiências autênticas e encontros culturais.

Durante décadas, a Madeira foi um segredo bem guardado entre quem já tinha ido a todo o lado. Agora, uma nova geração de viajantes está a chegar — e a encontrar algo que o Mediterrâneo deixou de oferecer há anos.

Um guia realista para 48 horas na ilha dourada, sem filas, sem pressa e com boa hospitalidade.