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Treinou em Bordéus. Podia ter trabalhado em qualquer lugar. Voltou à Madeira para fazer vinho em socalcos cavados pelo seu bisavô.
Porque continuava a comparar cada vinho que fazia com os que me lembrava de casa. Estava na Borgonha, a provar algo bonito, e pensava: mas tem o que o Madeira tem?
Também, sentia falta da dificuldade. Fazer vinho aqui não é fácil. Os socalcos são minúsculos, as encostas são loucas. Em França, olhavam para fotos das nossas vinhas e riam-se.
Tempo. Fazemos vinhos desenhados para nos sobreviver. Um Madeira engarrafado hoje pode atingir o seu pico em 2150.
Também calor. A maioria dos vinhos são destruídos pelo calor. O Madeira é criado por ele.
Os jovens enólogos. Somos talvez dez que voltámos com formação externa mas raízes profundas aqui. Estamos a reviver vinhas abandonadas, a replantar castas indígenas.
A terra. O clima. O conhecimento passado de geração em geração. Isso não se aprende na escola de enologia. Só se herda.
Não bebam como se fosse Porto. Os estilos secos são dos vinhos de comida mais versáteis do mundo.
E visitem as vinhas. Caminhem pelas levadas que as regam. O contexto muda o sabor.
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A equipa editorial da KIVO dedica-se a descobrir e partilhar as melhores histórias das ilhas, desde arquitetura e design até experiências autênticas e encontros culturais.