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Como arquitectos contemporâneos estão a redefinir a vida insular nas falésias vulcânicas da Madeira
Há um momento, a conduzir pela costa sul da Madeira, em que a estrada curva e de repente vê-se: uma casa que não deveria existir. Em cantilever sobre rocha vulcânica, envolta em vidro, a sua massa de betão de alguma forma a flutuar sobre o Atlântico. Sem telhado de terracota. Sem portadas verdes. Sem desculpas.
Esta é a nova Madeira. E não é o que esperava.
Durante séculos, a arquitectura madeirense seguiu padrões previsíveis. Paredes caiadas de branco. Telhados de telha vermelha. Varandas de madeira cobertas de buganvílias. Bonito, sim, mas também seguro.
Depois, há cerca de quinze anos, algo mudou. Uma geração de arquitectos que tinha estudado em Lisboa, Porto, Barcelona e Zurique começou a regressar a casa. Traziam consigo a influência de Álvaro Siza, Eduardo Souto de Moura e Tadao Ando.
A paisagem aqui é tão dramática que a arquitectura não precisa de competir. Precisa de enquadrar. De recuar. De deixar o Atlântico fazer o trabalho. Paulo Fernandes, Arquitecto
Caminhe por qualquer destas novas casas madeirenses e notará algo imediatamente: os materiais não se escondem. O betão fica em bruto. A pedra de basalto local aparece em paredes, pisos e fachadas. O vidro estende-se do chão ao tecto, apagando a fronteira entre interior e oceano infinito.
Usamos a mesma pedra que os nossos avós usavam. Mas usamo-la de forma diferente. Deixamo-la respirar. Celebramos a sua escuridão em vez de a esconder. Maria Santos, Arquitecta
Talvez o material de construção mais importante na nova arquitectura madeirense não seja sólido de todo. É a luz.
A luz atlântica aqui é diferente de qualquer outro lugar na Europa. Mais aguçada que a mediterrânica, mais suave que a das Canárias, ela muda ao longo do dia da claridade cristalina da manhã ao dourado mel do final da tarde.
A geografia força a criatividade. Numa ilha onde o terreno plano é precioso e as vistas são verticais, os arquitectos desenvolveram soluções extraordinárias. Casas escavadas em encostas. Salas de estar suspensas sobre ravinas.
Cada restrição é uma dádiva. O terreno diz-nos o que fazer. Só precisamos de ouvir. Paulo Fernandes
O Centro de Design Nini Andrade Silva no Funchal oferece uma boa introdução ao design contemporâneo da ilha. Mas os melhores exemplos continuam a ser casas privadas, vislumbradas de estradas costeiras ou descobertas de boca em boca.
Esta é arquitectura que não fotografa bem no Instagram. Precisa de ser experienciada. Venha. Fique na borda. Veja o que acontece quando os arquitectos param de pedir desculpa.
Cada propriedade na colecção KIVO é seleccionada pela sua relação com a paisagem, autenticidade material e qualidade espacial.
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A equipa editorial da KIVO dedica-se a descobrir e partilhar as melhores histórias das ilhas, desde arquitetura e design até experiências autênticas e encontros culturais.

A maioria das pessoas vem à Madeira pelas levadas ou pelo vinho. Mas algo interessante está a acontecer com os edifícios. Um punhado de arquitectos está a criar casas que realmente pertencem a esta paisagem vulcânica.

Uma casa de betão e vidro que parece levitar sobre o Atlântico, desenhada para semanas sem relógio.